CHUVEIRO OU BIDÊ?

Wladimir Rodney Palermo

Uma vez me reuni com alguns diretores de uma empresa e um deles, bastante incisivo, fez a seguinte afirmação:

“Não acredito em change management sem que as pessoas da base tenham consciência da importância do papel dos líderes acima delas. Em geral as pessoas não gostam de trabalhar e só fazem isso porque precisam do trabalho. Por isso os superiores precisam cobrar as pessoas o tempo todo. Caso contrário não serão obtidos os resultados”.

Fiquei estarrecido, mas me lembrei da célebre frase atribuída ao filósofo Voltaire: “Não concordo com as palavras que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dize-las”.

Para ocupar um determinado cargo em uma empresa uma pessoa precisa, habitualmente, possuir as capacitações requeridas para o desempenho do referido cargo. Em alguns casos a empresa percebe potencial na pessoa e investe em sua capacitação para completar o que é requerido para o desempenho desejado.

Entretanto a capacitação resolve – no máximo – 50% da equação.

Para que uma pessoa consiga o desempenho desejado para um determinado cargo, além da capacitação, que é o aspecto racional da equação, falta a parte representada pelo aspecto emocional da equação.

Este aspecto emocional da equação é o que leva uma pessoa a dar o melhor dela, independentemente de ser cobrada por isso. Isso pressupõe que a pessoa esteja motivada, confiante, inspirada e engajada.

Ocorre que esta parte da equação, de natureza emocional, representada por sentimentos, não tem nasce com as pessoas. Tais sentimentos precisam ser estimulados nelas para que elas se sintam assim.

E o que uma boa parte das empresas faz para estimular estas emoções e sentimentos e assim engajar as pessoas?
Além do salário, precisam um bom plano de assistência médica, seguro de vida, plano de previdência, programa de bônus, bolsa de estudos, automóvel para alguns cargos, etc..

Isso tudo funciona … mas … apenas em parte … e com curto prazo de validade.

Fica faltando o principal: a qualidade dos relacionamentos. E com maior ênfase, os relacionamentos entre os gestores e seus liderados.

Os Gestores precisam agir como Líderes para estimular nas pessoas ao seu redor as emoções que as levam a se sentirem motivadas, confiantes, inspiradas e engajadas.

Por isso fiquei estarrecido com a colocação daquele diretor, que acredita que o movimento deve partir de baixo para cima, imaginando que as pessoas da base é que devem mudar a forma de enxergar os seus chefes. Bastará que elas aceitem que eles precisam mesmo atuar como chefes e tudo ficará resolvido. É o tal efeito Bidê.

Imaginemos por um momento que existam dois tipos de pessoas na base da empresa: 1) pessoas com talento e desejo de crescimento e 2) pessoas mais acomodadas, inseguras e pouco talentosas.

Agora imaginemos as pessoas do tipo 1, com talento e desejo de crescimento. Se seus superiores se comportarem como chefes, e não como líderes, estas pessoas talentosas serão as primeiras que deixarão a empresa. Os superiores que se comportarem como chefes ficarão com as pessoas do tipo 2, as mais inseguras, acomodadas, pouco talentosas. Será a opção pela mediocridade.

Se quisermos formar e manter equipes de alto desempenho será preciso Líderes, ao invés de Chefes. E para isso o movimento precisará ser de cima para baixo. Efeito Chuveiro!

wladimir.palermo@bestinclassgroup.net

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