DÊ UMA CHANCE A VOCÊ MESMO!

Autor: Marshall Goldsmith

Tradução para o Português: Wladimir Rodney Palermo

“Eu sou um terrível ouvinte. Eu tenho dito isso há anos. As pessoas no trabalho me dizem que eu sou um mau ouvinte. O mesmo acontece com a minha esposa. E eu acho que é apenas a maneira como eu sou.”

É incrível como muitas vezes eu ouço líderes brilhantes fazer contraproducentes comentários estereotipados sobre si mesmos.

A boa notícia é que quase todos os líderes que encontro pararam de fazer comentários estereotipados sobre raça, sexo ou origem étnica. A má notícia é que ainda fazem esses comentários auto limitantes sobre eles mesmos.

Certamente você já os ouviu, ou talvez você já os usou para descrever a si mesmo:

• “Eu sou impaciente!”

• “Estou sempre para trás.”

• “Eu sempre ponho as coisas para fora!”

Costumamos falar sobre nós mesmos como se nós tivéssemos falhas genéticas permanentes que nunca poderiam ser alteradas.

Nossos estereótipos pessoais podem ser originários de histórias sobre nós que foram repetidas por anos – muitas vezes de tão longe como a infância. Estas histórias podem até ter alguma base na realidade. Mas elas podem definir baixas expectativas que produzem profecias autorrealizáveis, que parecem provar que as nossas expectativas negativas estavam corretas.

Eu sou um bom exemplo disso. Fui criado em uma cidade pequena. Cresci em Valley Station, Kentucky. Eu poderia naturalmente ter me envolvido com carros, ferramentas e coisas mecânicas. Meu pai tinha um posto de gasolina. Muitos dos meus amigos gostavam de trabalhar com carros e competir com eles nos fins de semana em uma pista local.

Como uma criança, no entanto, ganhei um conjunto diferente de expectativas de minha mãe. Quase desde o nascimento, foi-me dito, “Marshall, você é extremamente inteligente. Na verdade, você é o menino mais inteligente de Valley Station.” Ela me disse que eu não iria somente chegar até o nível colegial – eu poderia ir para a faculdade! Ela também disse, “Marshall, você não tem habilidades mecânicas, e você nunca terá quaisquer habilidades mecânicas para o resto de sua vida!” (Eu não acho que ela queria que eu trabalhasse no posto de gasolina, trocasse pneus e trabalhasse com carros).

Como essas expectativas afetaram o meu desenvolvimento? Eu nunca fui encorajado a trabalhar com carros ou com ferramentas. (Como um adolescente na década de 1960, eu pensei que uma junta universal fosse algo que os hippies fumavam).

Não só os meus pais sabiam que eu não tinha habilidades mecânicas, meus amigos também sabiam disso. Quando eu tinha 18 anos, eu participei de um Teste de Aptidão em Mecânica do Exército dos EUA. Minha pontuação estava na parte inferior, fazendo parte de dois por cento de toda a nação!

Seis anos mais tarde, no entanto, eu estava na UCLA, trabalhando no meu projeto de PhD. Um dos meus professores, Dr. Bob Tannenbaum, pediu-me para escrever coisas que eu fazia bem e coisas que eu não conseguia fazer. Do lado positivo, eu anotei, “pesquisar”, “escrever”, “analisar”; e “falar”. (Em outras palavras, eu escrevi: “Eu sou inteligente”.) Do lado negativo, eu escrevi: “Eu não tenho habilidades mecânicas. Eu nunca terei quaisquer habilidades mecânicas. “Bob me perguntou como eu sabia que não tinha habilidades mecânicas. Eu expliquei a minha história de vida e disse a ele sobre a minha performance no teste do Exército.

“Como são suas habilidades matemáticas”?, ele perguntou. Eu respondi com orgulho que eu tinha marcado um perfeito nível 800 no teste de desempenho SAT de Matemática 1. Bob, em seguida, perguntou: “Por que é que você pode resolver problemas matemáticos complexos, mas você não pode resolver problemas mecânicos simples”? Então ele perguntou: “Como é a sua coordenação motora” Eu disse que eu era bom em bilhar e tinha ajudado a pagar as minhas despesas da faculdade jogando sinuca. Bob perguntou: “Por que é que você pode jogar bilhar, mas você não pode martelar pregos?”

De repente, eu percebi que eu não sofria de algum tipo de defeito genético. Eu estava vivendo expectativas que eu tinha escolhido para acreditar. Nesse ponto, não foi apenas a minha família e amigos que tinham reforçado a minha convicção de que eu era mecanicamente impossível. E não era apenas o teste do Exército, também. Eu era o único que mantive-me dizendo: “Você não pode fazer isso” Eu percebi que, enquanto eu dizia isso, isso estava se transformando em uma verdade.

A próxima vez que você se ouvir dizendo: “Eu não sou muito bom nisso…” pergunte-se por que não. A próxima vez que você estiver orientando alguém, e esta pessoa disser: Eu não sou muito bom nisso…” pergunte-lhe por que não.

Se nós não tratarmos a nós mesmos – nem às pessoas em torno de nós – como se tivéssemos defeitos genéticos incuráveis, poderemos nos tornar melhores em quase tudo o que nós escolhermos. Por que não?

Marshall Goldsmith (Marshall@MarshallGoldsmith.com) é um proeminente Coach de Executivos no ambiente corporativo dos Estados Unidos.

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