QUANDO O EMPREGO VOLTAR.

Simon M. Franco

Parafraseando Heráclito de Éfeso, filósofo pré-socrático que disse que ¨quando um homem entra no rio pela segunda vez, nem o rio nem ele são os mesmos¨, me permito afirmar que quando o mercado de trabalho voltar a contratar, as demandas não serão as mesmas e se espera que os profissionais também não sejam.

Recebo diariamente uma considerável quantidade de currículos de pessoas que se denominam ¨em transição de carreira¨. Termo elegante para se referir ao desemprego! O que me parece grave, no entanto, é que não observo um autoquestionamento por parte da maioria dessas pessoas para entender por que estão desempregadas. Por que justamente elas foram as dispensadas e não outros colegas de trabalho? O que teriam feito – ou deixado de fazer – para dar motivo ao seu desligamento para, assim, evitar de cometer os mesmos erros novamente.

Todos certamente terão uma autojustificativa para sua situação: recessão, redução de custos, reestruturação, fusão, etc… Mas se conseguirem, ao invés de se sentirem vítimas, assumirem parte da responsabilidade e reconhecerem que o momento é adequado para uma reflexão profunda, uma reengenharia pessoal, uma revisão de suas atitudes, zonas de conforto, passividade, … certamente sairão fortalecidas e mais competitivas quando o emprego voltar.

A hora da virada

Difícil dizer com precisão como será o mercado de trabalho na retomada da economia.

Ainda assim, algumas coisas podem ser esperadas:

– grande número das vagas fechadas nos últimos dois anos não serão reabertas pelo simples fato das empresas terem feito a lição de casa, terem aprendido a fazer mais com menos, remanejado funções e responsabilidades, incorporado mais processos e se tornado mais eficientes com menos gente e com significativa redução de custos.

– os processos seletivos serão mais exigentes partindo do princípio de haver grande número de pessoas disponíveis e, portanto, maior quantidade de opções de escolha para as empresas. Coisas como experiência e conhecimento de idiomas, por exemplo, serão questionadas com mais profundidade

– é bem possível que os salários oferecidos para um bom número de funções sejam menores do que eram anteriormente ou, no mínimo, serão mais duramente negociados

– haverá maior controle sobre o head count e maior demora na tomada de decisão antes de contratar um novo colaborador

Para quem poderá haver emprego?

O que se pode concluir claramente é que o rio simbólico de Heráclito efetivamente mudou. Os profissionais que primeiro se derem conta disso, que perceberem que mais do que apuro técnico ou tecnológico o que se esperará é maior amadurecimento profissional, alinhamento de atitudes, engajamento, compromisso com a entrega sem desculpas, esses sim verão aumentadas as suas chances de um novo emprego num novo cenário em que o sarrafo com certeza irá ficar mais elevado.

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