VOCÊ ACREDITA EM SUPER HERÓIS?

Simon M. Franco

Momentos difíceis desafiam nosso cérebro a fazer coisas complicados e não necessariamente usuais: PENSAR! E o ato de PENSAR pode, curiosamente, tanto nos conduzir a situações extremamente positivas … ou a verdadeiros desastres. Quero crer que o contexto no Brasil de hoje é precisamente um desses momentos que exigem muito da nossa cabeça.

No meu trânsito como Consultor junto a gestores de variados segmentos do mundo corporativo, me deparo com decisões dignas de aplausos resultantes do ato de PENSAR. Também observo ações geradas por um ato de PENSAR imediatista, sob alta pressão, restrito, que irão muito provavelmente gerar prejuízos materiais, humanos ou, no mínimo, de credibilidade.

O primeiro passo numa recessão costuma ser total concentração em redução de custos com o objetivo mor da sobrevivência. Concentram-se os ¨seres pensantes¨ da organização numa caça implacável ao desperdício, aos excessos, a processos superados … e a pessoas desnecessárias! Nada de errado nisso não fosse a facilidade com que este ato pode se tornar um objetivo em si mesmo, uma verdadeira obsessão tornando a empresa defensiva, vivendo num bunker à prova de GASTAR. Sua Majestade Imperial passa a ser o orçamento … a qualquer custo (com perdão do trocadilho).

Permito-me fazer referência a um artigo recentíssimo publicado em revista empresarial de larga circulação. Nele se afirmava que a Empresa X decidiu reduzir o número de Diretores em 50%, atribuindo a cada um dos remanescentes duas ou mais das responsabilidades das Diretorias extintas!

Extinguiram-se cargos elevados, mas não o escopo ou as expectativas de desempenho das respectivas áreas, agora ¨sob nova administração¨. Vale dizer que se um Diretor remanescente já tinha digamos 6 ou 7 reportes diretos, passaria provavelmente agora a ter 10, 12 ou mais que exigirão dele ainda mais tempo e dedicação do que seus subordinados originais.

Numa análise simplista, se considerarmos apenas que todos nós já trabalhamos no limite de nosso tempo e dedicação, seria apropriado perguntar de onde sairão as horas adicionais para dar conta das metas de mais 2 ou 3 áreas?

Evidentemente que a minha análise poderia ser muito mais abrangente e profunda em diversas frentes para demonstrar que os resultados dessa ideia provavelmente deixarão a desejar. Exige mais do que seria lícito esperar dos gestores, mesmo em tempo de crise. Tudo em nome de redução de custos!

Defendo que existem ideias melhores, menos traumáticas e mais eficazes para aproveitar o talento (e o suor) dos principais executivos, inclusive lhes permitindo um tempo para PENSAR em formas de agregar mais receita e não apenas de reduzir despesas.

Simon M. Franco é associado do Grupo BEST IN CLASS ® para o programa Executive Counseling, que tem sido conduzido de modo especialmente bem-sucedido junto a Presidentes, CEOs, Diretores e Gestores de alto nível em importantes organizações dos mais variados segmentos.

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