O que você deve saber sobre pedir desculpas no trabalho!

Marshall Goldsmith
Tradução para o Português: Wladimir Rodney Palermo

 

Não há simplesmente nenhuma desculpa para pedir desculpas no trabalho – ou em qualquer outro lugar.

Quando você estiver atrasado para uma consulta e você se imaginar dizendo: “Desculpe por estar atrasado, mas o trânsito estava terrível”, pare com a palavra “desculpe”. Culpar o trânsito não desculpa o fato de que você manteve as pessoas lhe esperando. Você deveria ter saído mais cedo. Você certamente não teria que dizer: “Desculpe, cheguei cedo, eu saí muito cedo e o trânsito estava tranquilo.”

Se o mundo funcionasse assim, não haveriam desculpas.

Eu gosto de dividir desculpas em duas categorias: cega e sutil.

A desculpa “o cachorro comeu a minha lição de casa” se parece com: “Sinto muito por ter perdido a nossa data de almoço. Meu assistente marcou para o dia errado na minha agenda. ”

Tradução: “Você vê, não é que eu esqueci a data do almoço. Não é que eu não o considere tão importante e que o almoço com você não seja o ponto alto, não- negociável do meu dia. É que meu assistente é incompetente. Culpe meu assistente, não eu.

O problema com este tipo de desculpa é que raramente conseguimos escapar – e dificilmente é uma estratégia de liderança eficaz. Depois de analisar milhares de resumos de feedback de 360 ​​graus, tenho uma ideia das qualidades que os stakeholders respeitam e não respeitam em seus líderes. Nunca vi comentários que dissessem: “Eu acho que você é um grande líder porque adoro a qualidade de suas desculpas”, ou “Eu pensei que você estava com problemas, mas você realmente mudou de ideia depois de pedir desculpas”.

As desculpas mais sutis aparecem quando atribuímos nossas falhas a alguma característica genética que aparentemente está alojada em nossos cérebros. Falamos de nós mesmos como se tivéssemos falhas genéticas permanentes que nunca poderiam ser alteradas.

Você certamente ouviu essas desculpas. Talvez você já tenha usado algumas delas: “Estou impaciente.” “Sempre deixo as coisas para a última hora.” “Eu sempre fui meio
afobado.”

Habitualmente, estas declarações expositivas são seguidas de: “Sinto muito, mas é assim que eu sou”.

É incrível como muitas vezes eu ouço pessoas brilhantes e bem-sucedidas fazerem comentários intencionalmente autodepreciativos sobre elas mesmas. É uma arte sutil porque, na verdade, elas estão se estereotipando e usando isso para desculpar o comportamento de outra forma indesculpável.

Nossos estereótipos pessoais frequentemente provêm de histórias ou noções preconcebidas sobre nós mesmos que foram preservadas e repetidas por anos, às vezes remontando até a infância. Essas histórias podem ter pouca ou nenhuma base de fato. Mas eles se imprimem em nossas mentes e estabelecem baixas expectativas que se tornam profecias autorrealizáveis.

A próxima vez que você se ouvir dizendo: “Eu não sou bom em …” pergunte a si mesmo: “Por que não?”

Isso não se refere apenas às nossas aptidões em matemática ou mecânica. Também se aplica ao nosso comportamento. Nos desculpamos pelo nosso atraso porque temos agido assim durante toda a nossa vida, e nossa família, amigos e colegas nos deixaram agir assim com eles. Estas não são falhas genéticas. Nós não nascemos assim, e nós não temos que ser assim.

Se pudermos parar de nos desculpar, poderemos melhorar em quase tudo o que escolhermos.

Marshall Goldsmith (Marshall@MarshallGoldsmith.com) é um proeminente Coach de Executivos no ambiente corporativo dos Estados Unidos.

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