O CHEFE QUE COMPETE COM OS PRÓPRIOS FUNCIONÁRIOS

Valter Carvalho

Talvez você já tenha se deparado com um chefe que lhe atribui uma tarefa e no retorno, ao avaliar o resultado, desqualifica todo o seu trabalho e pede tantas alterações que começar do zero parece ser o melhor caminho.
Pode ser, ainda, que ele lhe solicite alterações que não mudem absolutamente nada no resultado final, mas que, aparentemente, graças ao conhecimento superior dele, essas mudanças que você enxerga como inócuas, produzam algum tipo de epifania naqueles que terão acesso àquele trabalho.
Em uma primeira auto-avaliação, você imagina que entendeu equivocadamente o que lhe foi solicitado ou, ainda, passa a questionar a sua capacidade de compreensão e de realização daquela tarefa.
Pode ser, evidente, que essas duas hipóteses existam, mas há, ainda, uma terceira alternativa, que é a de que você esteja diante de um chefe que compete com os próprios funcionários.
Não é raro a existência desse tipo de chefe nas organizações e, infelizmente, eles são, normalmente, enxergados como extremamente competentes e realizadores, já que seu elevado grau de competitividade traz resultados de curto prazo, apesar de deixar vítimas pelo caminho e assim, galgam postos importantes, o que faz com que conquistem número maior de funcionários abaixo de si, aumentando o número de competições a serem travadas.
Esse tipo de chefe é, normalmente, uma pessoa de ego inflado, mas no fundo, bastante insegura e que para equilibrar sua autoconfiança, necessita desqualificar as pessoas à sua volta, para sentir seu posto preservado e sua autoestima elevada.
O grande problema, para as organizações, é que esse tipo de chefe cria um ambiente de tensão e de desconforto para as pessoas, pois ao invés de utilizar seu conhecimento para treiná-las e fazê-las evoluírem como profissionais, ele as deixa inseguras e até mesmo com receio de apresentar seus trabalhos, pois sabem que, certamente, receberão fortes críticas, estando a sós com o chefe ou pior, em público, que é a forma preferida de atuação desse tipo de chefe, pois terá expectadores para mostrar a incompetência de seus funcionários diante de seu “grande e incomparável” conhecimento.
Esses profissionais têm altíssimo poder de destruição em massa, pois são caçadores de erros e não apreciadores de acertos. Seus funcionários os temem ao invés de respeitá-los e admirá-los e eles mesmos, sentem-se cada vez mais inseguros, pelo temor de serem perseguidos, pois pela maneira como atuam, pensam haver, sempre, algum plano secreto para prejudicá-los.
As empresas onde atuam perdem ótimos profissionais, que saem em busca de reencontrarem o equilíbrio e a autoestima e a dispensa de funcionários é elevada, pois há uma impressão equivocada de que “ninguém serve”, porém esses funcionários que se desligam ou que são desligados geralmente conseguem desenvolver-se e crescer em outros ambientes mais saudáveis.
Se você tem se sentido incompetente, pare para pensar se realmente o é ou se está sendo vítima de uma competição com seu chefe que, no caso, é uma competição onde somente existem derrotados, você, a empresa e ele, pois em curto prazo ele até poderá se sentir um vencedor, mas não há mal que sempre dure e algum dia esse chefe perceberá que se colocou em um isolamento, onde só há espaço para ele e para seu grande ego ou sua grande insegurança.

 
Valter Carvalho é um dos Associados do GRUPO BEST IN CLASS®, que tem como propósito ajudar as empresas na construção de uma Cultura Corporativa que se adapte com Agilidade e Habilidade a Mudanças e promova a Alta Performance como uma consequência Natural e Sustentável das atitudes de todos os seus Líderes.

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